BLG_CLV

12,4.2021

A ECONOMIA DA ATENÇÃO ESTÁ MATANDO A CULTURA?

O conceito que cai como uma luva para definir 2021 é antigo. No livro "The Attention Merchants", o professor da Universidade de Columbia, Tim Wu, aponta o jornal New York Sun, em 1830, como o precursor da Economia da Atenção. O jornal abriu suas páginas para anunciantes em meio às notícias, provocando transformações imediatas: o preço do jornal caiu expressivamente, a linha editorial se abriu para assuntos populares e os leitores deixaram de ser clientes para se tornarem o produto.

 

Assim, surgiram os tabloides, ou diários populares. O formato mídia foi replicado e popularizado nos jornais, rádios, televisão pelo século XX e se tornou a tônica da internet e redes sociais no século XXI. Há 150 anos, já estava claro: o foco vale mais do que dinheiro.

 

Não é só uma questão de mídia, a economia da atenção tem moldado o modus operandi de uma geração, impactando o como pensar, fazer e falar sobre cultura e entretenimento. Já ouviu falar em farm content? São empresas metade cara de agência e metade cara de redação que produzem um grande volume de conteúdo clickbait. A filosofia que impera neste mercado é: a prioridade é capturar a atenção e o tempo da pessoa, o conteúdo usado para isso e o meio são secundários.

Dos 15 minutos de Andy Warhol aos 15 segundos das Redes Sociais

 

Em 1968, Andy Warhol disse "no futuro todos serão famosos por 15 minutos". A descentralização dos meios, a pulverização de mídias e a vida efêmera dos conteúdos, a industrialização da arte, dão sustento ao pensamento de Andy. Na verdade, são 15 segundos que você tem para convencer alguém, usando as armas que você tiver: beleza, talento, network, humor, lifestyle. Sem compreender todo o excesso e com medo de não ser parte, as pessoas dizem sim para este sistema e se jogam na disputa por mais atenção.

 

 

Economia da Atenção na Música

 

Fatos evidenciam o dinamismo de redes como Instagram e Tik Tok provocando mudanças no modo do artista divulgar ou até mesmo expressar suas obras. A economia da atenção já é realidade nos estúdios. Composições e produções são pensadas para performar e capturar as pessoas em segundos, a fim de convencê-las a ficar mais para ouvir o que você tem a dizer.

 

O canadense Hubert Léveillé Gauvin publicou um artigo, pela Universidade do Estado de Ohio, "Capturando a Atenção do Ouvinte na Música Popular: Testando 5 características musicais surgidas a partir da Teoria da Economia da Atenção". O estudo cruzou uma análise das músicas mais ouvidas dos últimos 30 anos e identificou mudanças latentes em aspectos que convergem com as técnicas de captura de atenção: Diminuição das introduções; Estrofes menores e refrões tocados logo no início; Aumento da velocidade da música; Simplificação / Literalidade nas Letras.

 

 

Aceitando Mudanças, Respeitando Você

 

Novas tecnologias, novos meios, novas gerações provocam mudanças e criam a necessidade de reaprender e se reinventar. Estar vivo é isso, estar em movimento, crescendo e aprendendo. O importante é a conscientização e a lucidez para acompanhar estes passos, entendendo as ferramentas e suas dinâmicas, definindo o que faz sentido para a sua história, projeto e construção de marca.

 

Com tantas ofertas e leilões literais pela atenção da audiência, aprender a dizer não é uma questão de sobrevivência e equilíbrio. E saber que se grandes máquinas digladiam pela sua atenção, você já entendeu o valor de cada minuto seu?